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Fatores morfológicos da vitalidade urbana - Parte 1: Densidade de usos e pessoas / Renato T. de Saboya







Data:

01/12/2016

Fonte:

Arch Daily Brasil

Fonte da imagem:

Recorte digital de archdaily.com.br

TAGs:

trânsito, espaços públicos, calçadas, pedestres

Editoria:

Desenvolvimento Urbano


Atualização: 01/12/2016



 

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Como todos os fenômenos urbanos que valem a pena ser estudados, a vitalidade urbana é um conceito complexo e multifacetado, que acontece a partir da interação entre diversos padrões sociais, espaciais e econômicos. Esta série de textos busca discutir e refletir sobre alguns desses padrões, examinando suas interfaces com a vitalidade e sua suposta capacidade de fazê-la emergir.



Antes, entretanto, precisamos tratar de definir vitalidade urbana. O que, exatamente, seria isso? Vitalidade urbana refere-se à vida nas ruas, praças, passeios e demais espaços públicos abertos. Mais especificamente, dizemos que um lugar possui vitalidade quando há pessoas usando seus espaços: caminhando, indo e vindo de seus afazeres diários ou eventuais; interagindo, conversando, encontrando-se; olhando a paisagem e as outras pessoas; divertindo-se das mais variadas maneiras e nos mais diversos locais; brincando, especialmente em parques e praças, mas também na rua; e assistindo apresentações artísticas, especialmente as informais e improvisadas, entre outras manifestações. Inclui também toda uma gama de atividades relacionadas às trocas comerciais, tais como entrar e sair de lojas, perguntar e pesquisar preços, olhar vitrines, comprar, pechinchar, etc. Quando acontece informalmente no próprio espaço público, como é o caso de camelôs e barraquinhas de venda de comidas, a própria atividade comercial é parte da vitalidade urbana. Em suma, a vitalidade urbana pode ser entendida como a alta intensidade, frequência e riqueza de apropriação do espaço público, bem como à interação deste com as atividades que acontecem dentro das edificações.



A seguir, vamos tratar de algumas condições necessárias para que esse fenômeno, tão importante em nossas cidades, possa acontecer. A primeira – densidade de usos e pessoas – será abordada neste texto; as demais, em textos vindouros.



Condição 1: Densidade de usos e pessoas



O primeiro e mais óbvio grupo de fatores a influenciar a vitalidade urbana são aqueles relacionados à quantidade pura e simples de pessoas e atividades que tenham a capacidade de preencher os espaços públicos. Não é difícil perceber – e provavelmente é um dos poucos aspectos em Urbanismo sobre os quais há pouca controvérsia – que maiores quantidades de pessoas, usos e área construída estão direta e naturalmente relacionadas a uma maior quantidade de pessoas utilizando e interagindo nas ruas, desde que outros fatores mantenham-se similares. Em outras palavras, áreas com maior quantidade de moradores e/ou de economias e/ou de área construída tendem a possuir maior vitalidade em seus espaços físicos, ceteris paribus.



As edificações podem ser entendidas como alimentadoras dos espaços públicos: quanto mais gente mora em uma determinada área, mais gente tende a sair e chegar em casa todos os dias para ir e voltar do trabalho, da escola e das compras, assim como para realizar as demais atividades diárias, o que por si só representaria um primeiro esboço de vitalidade urbana. O mesmo vale para o número de economias em geral: quanto maior a quantidade de residências, comércios, serviços, etc., maior tende a ser o número não apenas de moradores, mas também de empregados e clientes, assim como os fluxos gerados por eles. Além disso, as oportunidades para interações são ampliadas, visto que a oferta de mercadorias e serviços torna-se mais numerosa e diversificada em comparação com áreas menos densas, aumentando os estímulos para deslocamentos e interações e funcionando como atratores para novos fluxos. Há, em síntese, maior quantidade de motivos para sair de casa, percorrer as ruas e interagir com outras pessoas, mesmo que seja simplesmente para fazer uma compra no mercado da esquina.



Maiores densidades também estão diretamente relacionadas à quantidade de pessoas que circulam e usam os espaços públicos em momentos de ócio: crianças brincando nos playgrounds e nas ruas, mães e pais acompanhando-os e conversando entre si, pessoas levando seus cachorros para passear, praticando exercícios, correndo, patinando, andando de bicicleta. A própria presença de pessoas é um atrativo para mais pessoas em momentos de ócio, que adoram “ver o movimento”.



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